INIBIDOS CRIATIVOS

“Mãe, por que os lápis marrons e pretos não são chamados também de ‘cor de pele’?”
HELENA, 8 anos

Quando a pequena Helena fez a sua pergunta o mundo parou. Sua mãe sentiu-se profundamente constrangida, já que ela mesma nunca havia pensado na questão proposta pela filha. A caixa de lápis de cor da garotinha ofereceu a ela a oportunidade para questionar algo que a maioria de nós, muitas vezes, nem percebe.

O talento infantil para fazer perguntas é inegável. Para a maioria dos adultos, um incômodo; para outros, oportunidade para rever suas próprias vidas. Nesse caso, você deve estar se perguntando, o que a mãe da Helena disse? Mesmo constrangida por não ter pensado nisso antes, o orgulho por ter uma filha que o fez a animou no desafio de explicar que todas as cores podem e devem ser tons de pele.

Essa é uma história real, e me fez pensar em todas as vezes que ou passamos por cima ou inibimos assuntos importantes que surgem durante a educação de nossos filhos. A criatividade come nas mãos de nossas perguntas, e em nenhum outro lugar. O problema é que no momento mais crítico da construção de nossa inteligência somos frágeis seres, que dependem dos adultos que podem ou não alimentar nossa curiosidade de forma apropriada.

O que pode ajudar quem possui TDA é a falta de inibição. Nesse caso, o cérebro tem dificuldades para filtrar pensamentos e impulsos na região do lobo frontal, permitindo resultados inesperados. Para alguns cientistas e terapeutas, esse fator pode auxiliar no desenvolvimento de sua criatividade, já que continuam, a despeito de adultos despreparados ou desmotivados, a olhar para o mundo com a força de uma mente quase indomável. Para as outras crianças, a curiosidade estará lá também, latente, mas a domesticação do lobo frontal poderá ser mais eficaz, caso haja uma deliberada inibição de seus potenciais.

Para Rod Judkins a dúvida nos faz investigar, e isso nos leva a descobrir novas ideias. “Duvide de tudo e de todos o tempo todo — especialmente de você mesmo”, diz. A criança sempre pergunta. Essencialmente, essa é a sua marca comum. Elas imaginam, criam e perguntam o tempo todo. Em maior ou menor escala isso gera transtornos. Claro, não temos tempo disponível para responder todas as questões criadas pelos pequenos. Mas, é importante entender que as perguntas criadas espontaneamente por eles, se bem respondias, formarão a base central do caráter que os acompanhará por toda a vida.

“Cor de pele” pode ser qualquer uma.

Criar crianças criativas é o desafio desse momento no mundo moderno. Elas são reféns no microcosmo do núcleo familiar, onde aprendem os rudimentos para construir o próprio caminho. Mesmo conectadas o tempo todo, não podemos esperar que a tecnologia seja mero entretenimento. As que confiam em seus pais vão querer confirmar suas ideias, se tiverem dúvidas. Dar liberdade para uma criança e se sentir livre para lidar com assuntos importantes pode ajudar no desenvolvimento da criatividade de todos os envolvidos. Sim, responder pergunta de criança é um desafio sem igual, mas adultos inibidos criam crianças inibidas. E a inibição pode matar o maior talento de um ser humano emocionalmente saudável: a capacidade de fazer perguntas sem a menor vergonha.

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