ONDE OS FRACOS (AINDA) NÃO TÊM VEZ

O que podemos aprender com os estudantes mais inteligentes do mundo

A cada três anos, meio milhão de estudantes de quinze anos, de todo o mundo (72 países), representam outros 29 milhões de adolescentes em um teste conhecido como PISA (Programme for International Student Assessment – “Programa Internacional para Avaliação de Alunos”).

Ao contrário de outros exames, o teste não avalia o que os adolescentes memorizaram. Em vez disso, pede que resolvam problemas que nunca viram antes, identifiquem padrões que não sejam óbvios e que escrevam argumentos convincentes. Ele testa as habilidades, em outras palavras, que as máquinas ainda não dominaram.

Cingapura esmagou todos os outros países (novamente) com as melhores pontuações nos testes, tendo o Japão e a Estônia ocupando o segundo e terceiro lugares, respectivamente. O que é fascinante sobre o teste são os temas claros que ele revela sobre o motivo pelo qual alguns sistemas educacionais superam significativamente os outros.

Não é quanto dinheiro um país investe em educação. Países como os Estados Unidos, Luxemburgo e Noruega estão no topo da lista entre os maiores investidores, mas nenhum deles é considerado superpotência educacional.

Nem mesmo a pobreza ou os imigrantes são fatores determinantes. Lugares como a Estônia, com pobreza infantil significativa, e o Canadá, com mais estudantes imigrantes do que os Estados Unidos, agora estão no topo das paradas. Todos esses fatores são importantes, mas eles interagem com outras condições críticas para ajudar – ou não.

Aqui estão cinco fatores determinantes do que faz com que um sistema educacional ofusque outros, de acordo com os dados. Aqui estão algumas dicas para os líderes que se dedicam a construir organizações “mais inteligentes” e “mais inovadoras”.

  1. Melhoria contínua

A força educacional que é Cingapura define o padrão para o resto do mundo em grande parte porque está constantemente desafiando a abordagem de status quo relacionado à educação, por isso desenvolveu uma cultura robusta entre educadores de melhoraria contínua.

No local de trabalho, essa filosofia de melhoria contínua muitas vezes é negligenciada, ficando à margem, cedendo à pressão para atingir metas de curto prazo.

Como líder, você deve equilibrar os requisitos de curto prazo com o desenvolvimento de uma vantagem competitiva sustentável no longo prazo, promovendo uma cultura de constante reflexão e aprimoramento. Isso significa priorizar e reservar um tempo sagrado para fazer exatamente isso, não importa qual reunião esteja pendente.

  1. Adotar e Aplicar padrões rigorosos

Como líder, nunca esqueça a importância de definir metas altas, e manter isso no mesmo nível para todos da equipe. Nada torna uma organização “mais emburrecida” e mais desengajada do que quando seus membros observam inconsistência nos padrões ou no descompromisso da liderança.

  1. Revele e explique ideias

É muito fácil um líder dar ordens e ir embora, deixando a equipe descobrir o resto por conta própria. Este é um belo convite para investir tempo no compartilhamento inteligente de informações.

Explique o que é necessário com exemplos e reserve um tempo para responder a perguntas. O autor George Bernard Shaw disse certa vez: “O maior problema na comunicação é a ilusão de que ela aconteceu.”

  1. Invista tempo no coaching individual

Este vai deixar você sem chão.

As organizações mais inteligentes e mais qualificadas são, muitas vezes, aquelas que refletem o conhecimento que o líder disseminou hábil e sinceramente. Isso inclui reservar um tempo para investir no desenvolvimento daqueles que não são necessariamente “estrelas”.

Os países de maior pontuação na educação fazem um ótimo trabalho ao proporcionar aos alunos desfavorecidos oportunidades iguais.

  1. Abrace a mudança

O estudo cita que um dos maiores impedimentos para um sistema educacional ser poderoso são os professores que não adotam mudanças; o que impede os estudantes de acessarem ambientes mais avançados e outras metodologias disponíveis.

Como líder, você deve saber que a mudança é inevitável e que cabe a você moldar a mudança em vez de deixá-la moldar você de maneira negativa.

Saiba que abraçar a mudança é uma das maiores ferramentas de desenvolvimento pessoal que você tem à sua disposição, e que mostrar a capacidade de aprender e se adaptar é um dos principais identificadores de líderes de alto potencial.

Adaptado do original.

 

Segue…

Ao ler esse material fiquei intrigado. Com muitas coisas, claro. Mas um fato em especial me chamou a atenção:

Ao contrário do que dizia Chico Buarque, existem sim muitos pecados ao sul da linha do Equador; principalmente no que diz respeito à educação. É uma corrida maluca, uma terra sem lei para todos os alunos, ricos e pobres. Não importa se estudam numa escola pública ou particular, a grande diferença sempre estará no elemento humano.

Volume de tarefas e livros lidos não nos tornará humanos com as capacidades ampliadas, em todos os sentidos possíveis. A presença de espírito dos mestres e a abertura sincera para o universo que se descortina com as incansáveis novidades, que nos chegam ininterruptamente, são as verdadeiras joias do infinito.

Mais que isso. Dar espaço aos aparentemente desfavorecidos, mais lentos ou desafortunados tem se mostrado uma chave para a descoberta de talentos geniais em meio um público há tempos desdenhado em muitas áreas da vida, principalmente na educação. Privilegiar os “melhores” a despeito dos que não se encaixam acabou se mostrando contra produtivo e arriscado demais. Chegou o tempo para uma releitura da realidade. Assim encontramos uma nova força, vinda de lugares e mentes nunca imaginados.

Países que hoje são os queridinhos do PISA, como a Finlândia, nem sempre tiverem um sistema invejável. Não vou me alongar mais que o necessário, mas eles reestruturaram a sua educação várias vezes, sem medo de corrigir os problemas em pleno voo. Sistemas educacionais como o dos Estados Unidos, de quem copiamos o nosso, se mostrou inchado, rígido, antiquado e, mais que nunca, impraticável nos dias de hoje. Eles ainda não fazem tão feio nos exames internacionais pelo volume de dinheiro que “gastam”, literalmente, na educação. Mas, ironicamente, ainda ficam muito atrás de países como a Estônia, Polônia e Lituânia.

 

 

Screenshot
Ranking de matemática – mais dados disponíveis no site da OECD.

 

Pouco ou quase nada do que foi mostrado no texto, no que diz respeito ao que é necessário para uma educação forte, está presente em nossa realidade brasileira. O mais interessante é ver que não basta apenas dinheiro para transformar positivamente um sistema educacional, e, consequentemente, toda uma cultura. Há que se ter boa vontade e dedicação. Claro que com apenas isso não faremos verão. Precisamos de recursos financeiros. Mas o papel moeda sozinho não estimula ninguém a escrever boas histórias. Precisamos de motivos. E o Brasil possui uma quantidade impávida e colossal deles para usar como combustível de uma revolução tardia e, inegavelmente, necessária.

Nossos números são comparáveis aos de países como México, Peru e Costa Rica. Um país como o nosso, que dispensa apresentações em qualquer parte do mundo, tem muito mais do que pés e chuteiras tipo exportação. Made in Brasil são todas as iniciativas quase que autônomas que vemos todos os dias florindo em meio ao limbo de gesso burocrático que é nosso País, em quase todas as suas esferas. Tudo é muito difícil, e quem “chega lá” merece dar entrevista no Fantástico.

Já ficou cansativo assistir alunos pobres, negros ou vindos de realidades simples contando as suas histórias em horário nobre, e todos nós rompendo em lágrimas. Por que estudar e trabalhar de forma digna é tão difícil para quase todos aqui no Brasil? Por que o “lá”, o lugar mais alto e seguro pertence apenas a uma pequena minoria? Por que temos que pedir permissão e licença o tempo todo para tomarmos o lugar que é nosso por direito?

Apenas ir à escola não vai salvar ninguém da pesada mão do futuro. E olha que ela já está aí, às portas. Todos os números estão contra todos, inclusive os grande e poderosos países. Por terem falhado em seus sistemas educacionais e “formado” uma massa infinita de gente despreparada para a realidade, muitas potências mundiais estão importando talentos de todas as partes do mundo para compensar o déficit, enquanto tentam desesperadamente corrigir o erro. O problema é que estão consertando um sistema que implora por um tiro de misericórdia. Eles não têm saída. A morte da velha academia é uma questão econômica, de segurança nacional e de tempo. E isso não é relativo!

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