BIZARRO

Pessoas bizarras podem ser “bem-apessoadas, altas e esbeltas, elegantes, generosas, nobres, até jactanciosas; inclusive extravagantes, excêntricas e mesmo esquisitas”. Adoro dicionários! Até porque eles sempre nos provam que a gente vem eliminando possibilidades incríveis nos significados das palavras e, por isso mesmo, novas formas de curtir a vida com mais intensidade. Mihaly Csikszentmihalyi diz em seu livro Creativity, que pessoas normais raramente são originais, mas às vezes são bizarras. “Pessoas criativas, ao que parece, são originais sem serem bizarras. A inovação que elas veem está sempre ligada à realidade”, afirma. Desculpa aí Mihaly, mas…

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Tive uma sensação muito interessante quando li a frase “você se torna quem é não pelo que cresce em seu cérebro, mas pelo que é eliminado”. A ressaca instantânea provocada por um tsunami de lembranças embaçadas me jogou no chão, sem a chance de uma recuperação rápida. David Eagleman, em seu livro Cérebro uma biografia, revela como nos tornamos quem somos. Como é fantástico entender que a infância nos dá tantas oportunidades para encher o HD interno com todas as experiências possíveis, para podermos compreender o mundo ao nosso redor. Como é fantástico compreender que nossos sentidos não funcionam como imaginamos. Somos reféns de como o nosso cérebro interpreta cada sensação em nosso corpo. O órgão capaz de ler o mundo, ironicamente, fica oculto numa caixa escura.

Todo o nosso esforço para conquistar alguma coisa será uma luta interna. Bioquímica. O cérebro está o tempo todo em busca de organização, para eliminar seu lixo, para economizar energia. Afinal, esse pedaço de carne com 1,5 kg consome cerca de 20% da energia produzida por seu corpinho. Sim, ele bate seu iPhone fácil no quesito “consumo”. E outros também, mas esse não é o tema aqui… Persistência, garra, determinação. Essas são palavras bonitas, muito vistas e ouvidas em palestras e livros de autoajuda. Nossos pais também usam muito. Mas, por que é tão difícil dar o gás que nossos sonhos tanto exigem?

Albert Einstein disse uma vez que a arte e a ciência são as duas maiores formas de escape da realidade inventadas pela humanidade. Estamos sempre em busca de fuga, de algo que nos leve para longe da realidade. Cada um, a seu modo, dá um jeito. Suas escolhas o revelam. O ser humano parece não suportar o que ele chama de realidade. O tempo todo estamos inventando histórias. Criando ficções. Contanto um conto e aumentando um ponto. A verdade nua e crua não tem muita graça. Às vezes, a realidade fria é insuportável. A arte e a ciência estão aí para provar que não existe nada estático e definitivo. Somos eternos viciados na dose diária de surpresas; sentados no trono com a boca escancarada, cheia de dentes, esperando a novidade chegar.

Uma vida bizarra é o prêmio maior para quem aspira ser criativo. Não é uma condição, mas, talvez, um estado de espírito. Um ato voluntário de reciclar ideias, com o firme propósito de manter-se organizadamente caótico, sempre em busca de um novo ângulo, uma nova possibilidade, um jeito novo de incomodar as pessoas normais, e receber o fatídico rótulo de extravagante, estranha, excêntrico, esquisita, bizarro! Afinal, sua arte e a sua ciência são o ópio perfeito para fugas impensáveis a lugares incríveis. Longe de uma “realidade perfeita”.

 

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