EM NOME DO PAI

O vilão enfrenta o herói. Eles são da mesma família. O filho precisa matar o pai. O pai não pode deixar o filho sobreviver. O filho não sabe nada do seu pai, nunca o conheceu. O pai não sabe que tem um filho, nunca soube.

O drama parece um B.O. de polícia, mas é a trama central de uma das maiores franquias cinematográficas de todos os tempos. Darth Vader, o vilão, precisa matar Luke Skywalker, o herói. Ambos com seus dramas pessoais, ambos não poderão evitar o mortal dilema.

A receita de sucesso para uma história, aparentemente simples, talvez tenha sido o conflito não apenas entre o “bem” e o “mal”, mas entre dois seres humanos ligados por laços de sangue, tentando vencer desafios pessoais que os impediam de conhecer suas próprias identidades. O sabre de luz que corta a mão do guerreio jedi conecta as duas almas, atribuladas pela falta de respostas, imersas em existências repletas de sombras. Não é difícil se identificar com esses personagens.

Qualquer criança, qualquer adulto; ninguém escapa do magnetismo do lord sith. Todos nós, com pais presentes ou não, temos os nossos conflitos. Seja aqui e agora ou há muito tempo, numa galáxia muito distante, seremos sempre vítimas da força que existe na relação vivida ou não com nossos pais. Ver Luke e Vader nos três primeiros filmes, como gato e rato, em constante embate, emocional e físico, nos remete às nossas próprias realidades. Não é possível fugir de suas garras, mesmo fugindo à velocidade da luz.

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Luke. I am.

Pais e filhos sempre lutaram. Pais precisam entender o que é ser pai. Filhos da mesma forma. Mas, para ser pai é preciso entrar no mundo do filho, e do lado do filho, de novo, da mesma forma. Os sonhos do Pai, comprar uma casa, um carro novo ou dominar a galáxia, às vezes, podem separá-lo de seu rebento. Os sonhos do filho, seja passar no vestibular, ganhar um Playstation ou ajudar a resistência contra o império, não importa, podem entrar em conflito com os planos de seu progenitor. E isso é verdade. Pais aqui podem ser mães, e os filhos, da mesma forma, podem ser meninas. Os conflitos são os mesmos. Os dilemas não respeitam idade, gênero ou classes sociais.

No final, seja ele qual for, não importa o tempo e o espaço, o que desejamos mesmo é ter certeza de que nossos pais e nossos filhos estão felizes. Filhos são flechas nas mãos de um arqueiro. Somos a projeção de nossos pais. Eles, por sua vez, querem ter a certeza de que nos projetaram na direção e com a intensidade certas. Mas, isso é impossível de saber. Essa certeza, muitas vezes, é a equação que nunca fecha, a conta que nunca bate. Aí começa o drama, os conflitos e as batalhas interestelares. A mágica de Star Wars, pelo menos nos episódios IV, V e VI, está nessa odisseia vivida por um personagem maligno contra o herói menino, que precisa crescer muito rápido, sem nenhuma referência de seu pai que, ironicamente, está por atrás daquela máscara negra, daquela grave voz eletrônica e daquele violento sabre de luz vermelho.

O ator inglês David Prowse

Quis escrever esse texto para homenagear David Prowse, o homem que deu vida ao mais espetacular vilão de todos os tempos. O ator inglês é muito pouco conhecido, mesmo no meio da comunidade de fãs da trilogia. Depois de assistir ao Documentário I Am Your Father, lançado em novembro de 2015, pude conhecer melhor o ser humano que nos revelou o lado sombrio da Força. O filme, dirigido por Marcos Cabotá e Toni Bestard, está disponível na NetFlix, e conta a história de Prowse. Recomendo muito aos fãs de Star Wars que desejam conhecer um “lado” pouco conhecido desse universo que parece não ter mais fim. Afinal, quando o assunto é família, as possibilidades são tão numerosas quanto as estrelas no céu. Que a força esteja com você!

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