O GOLPE DA FELICIDADE

“Ser feliz sem motivo é a mais autêntica forma de felicidade.” – C.D.A.

Ser feliz é sofrer um golpe. Talvez uma série deles, quem sabe? Ser feliz dura o exato tempo de ser arremessado pela força de uma surpresa. Mas, “golpe” também é uma forma de engano, por isso a felicidade tem tantos disfarces. Na sua melhor performance, ela sempre nos deixa algum tipo de marca, uma lembrança, uma expectativa.

O escritor T. S. Eliot tinha um jeito interessante de descrever golpes de felicidade. Ele afirmava que o fim de toda nossa busca seria “chegar onde começamos e ver o lugar pela primeira vez”. Já o meu querido amigo Friedrich Nietzsche apostava na “vantagem de ter péssima memória”, que nos permite divertir-se muitas vezes com as mesmas coisas boas como se fosse a primeira vez. Problema mental ou um jeito novo de perceber a vida?

Ser feliz sem motivos seria não criar demasiadas expectativas sobre a vida? Estaria Drummond certo sobre não dar nomes ao que desejamos nos trazer algum tipo de felicidade? Difícil acreditar nas palavras de um poeta. Difícil encontrar respostas plausíveis em outros lugares. Se esperamos que o dinheiro nos salve, golpe. Se buscamos na ciência, golpe; na religião, golpe; nas pessoas, golpe. Ou seja, onde estará a esperança?

O golpe da felicidade é sempre uma pancada premeditada. Sem esquecer que seja qual for o motivo e os motivadores, estaremos sempre à disposição do caos que a vida nos apresenta todos os dias. Não estamos no controle de nada, mesmo que a planilha esteja atualizada. Somos vítimas do acaso, mas também somos os donos do presente. Sempre que a vida lhe bater, ofereça a outra face da mão: revide. Escreva com o que tiver, colocando cicatrizes em cada título, lembranças nas entrelinhas e qualquer lágrima nos pontos finais.

Esse golpe é o recorrente chamado para uma revolução pessoal. Parece que a vida não gosta muito de nós, mas é o seu jeito estranho de nos provar que o gosto amargo nos prepara para valorizar as poucas gotas de doce que nos sobram depois das batalhas que enfrentamos. Prova que não precisamos de motivos para sermos felizes, precisamos apenas estarmos vivos e ter algum tipo de esperança que nos valha a pena.

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