SEDENTOS DE SEMÂNTICA

O escritor Umberto Eco afirmou que as redes sociais deram o direito à palavra a uma “legião de imbecis” que antes falavam apenas “em um bar e depois de uma taça de vinho, sem prejudicar a coletividade”. De certa forma até acredito nisso. Mas, vamos pensar, será que isso poderia ter sido evitado?

 Im.be.cil: adj. e s., m. e f. 1. Que, ou quem é fraco de espírito. 2. Néscio, tolo. 3. Psicol. Que, ou pessoa que tem nível mental entre um quarto e metade do nível normal do grupo de idade cronológica a que pertence. (Michaelis)

Desde a pré-história, a inquieta busca pela expressão pessoal tem sido o marco que nos define como seres humanos. O “significado” é o nosso Santo Graal, exatamente por ainda não conhecermos seus reais poderes. Se é que realmente existem, se é que isso faz algum sentido. Escrevemos nossa história incansavelmente, e a tecnologia avançou exatamente por causa dessa necessidade. Somos viciados em contos, dependentes de enredos e inveterados reféns da saga que nos prende a atenção; do contrário o tédio escreve silêncio e uma nova história sairá disso também, misturada com a falta de significados e a sua própria fermentação que sempre gerará impensáveis possibilidades

A tecnologia se move na direção da mistura das pessoas, de sua conexão completa, da inevitável congregação de todos os povos. Do pincel ao lápis, do tipo móvel à tela sensível ao toque, da folha em branco à urna eletrônica, somos todos “caçadores da arca perdida”, do selo que nos define, do rótulo que diz nossa origem e possível ou esperado destino; assim seremos, em tese, sempre o devotado rebanho de nosso próprio instinto predador, à caça das camadas mais profundas da razão de existir, mesmo que haja a célebre insistência por nadar próximos da fácil superfície.

 Se.mân.ti.ca: s. f. Linguística. Estudo da evolução do sentido das palavras através do tempo e do espaço; semiótica. (Michaelis)

 Na hora de pular a cerca da imbecilidade, quando esquecemos o quanto somos quase invisíveis nesse imenso universo digital, saltamos num oceano, cruzamos a fronteira à espera de um milagre, deixar nossa marca; sedentos da eternidade, querendo sempre mais uma dose, já que o tempo não para. Postamos, curtimos, comentamos e compartilhamos. No início era o verbo, e o seu poder semântico nunca saiu de moda. Agimos como animais em busca de recompensas no meio da savana digital, onde somos constantemente engolidos pelo tempo que insiste em nos esquecer, inexoravelmente.

Não há escapatória para o destino da tecnologia. Na ânsia de conquistar o mundo, precisamos que todos estejam conectados e falem a mesma língua. Pelo menos, esse é o plano básico para se dominar o planeta. Os imbecis mudam de roupa o tempo todo, depende da perspectiva que usamos para observá-los. Às vezes, estão no comando, noutras, são apenas massa de manobra.

O importante é entender que a evolução colocará abaixo qualquer muro que nos impeça de alcançar os mais longínquos recônditos da natureza humana e seus arredores físicos. Afinal, imbecil é aquele que não se dá conta da importância de sua opinião, esquecendo que a hora certa de expressá-la será sempre depois do silêncio que a torna suficientemente madura para, talvez não ser dita. Esse é o desafio!

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