A MULHER DE “30 ANOS”

Trinta anos depois de nascer, uma mulher deverá possuir todas as camadas necessárias para ser chamada de fatal, glamorosa, irresistível e de todos os outros adjetivos capazes de descrever uma mulher balzaquiana. Dona de uma beleza, de experiência e pensamentos, desejos e angústias de uma mulher que reivindicava o direito de ser feliz e discute as mazelas de sua realidade. Mas, quanto tempo ou o que é necessário para uma mulher chegar ao clímax de seu potencial feminino?

Dura questão para um homem sequer tentar responder. Na verdade, nem vou tentar. As próximas linhas serão um tratado sobre o que uma mulher, talvez, não deveria ser ou fazer. Ainda assim soou piegas e pretensioso. A mera continuidade desse texto será o rastro de uma pólvora que encontrará a sua inevitável explosão. Mas, como um bom homem, usarei o meu acentuado lado feminino e beberei minha diária dose de ousadia. Se ainda estiver aí, venha comigo até o final desse arriscado desafio.

“Tome a mesma moça aos 20 e aos 30 anos. No segundo momento ela será umas sete ou oito vezes mais interessante, sedutora e irresistível do que no primeiro”, disse nosso amado amigo Honoré de Balzac. Será? Será que a divisa dos 30 anos marca a mulher como um ser humano melhor? Talvez. Claro que muita coisa muda. Mas, o quê? Não me pergunte, eu também não sei. A minha promessa é a de dizer o que uma mulher pulando o muro dos 30 “não” deveria fazer.

Até os 10, o ser feminino teoricamente ainda vive em um mundo de mágica e fantasia. Logo em seguia, até os seus 20, um misto de furacões e terremotos vão mudar a paisagem de qualquer mulher comum, em qualquer parte do mundo, quer ela queira ou não. As mudanças virão de dentro, e os efeitos dessas mudanças podem atropelar uma mente de tal forma que, para a maioria, é um desastre atrás do outro na conquista de um aprendizado que, muitas vezes, ninguém disse que viria ou deveria ser adquirido.

Depois desse tsunami, até os 30, haverá tempo para amadurecer, para pensar e repensar todos os cacos da odisseia finda. Muita coisa houve desde a primeira menstruação. Agora, a mulher, cheia de marcas, vai respirar entre um safanão e outro da vida. Se puder, é claro. Entretanto, mesmo apanhando da vida, ela terá a bagagem feita de experiências biossociais. O seu novo corpo rendeu-lhe sangue, suor e lágrimas. A vida e as pessoas a tomaram pelas mãos e a jogaram nos piores poços pelo caminho. Sim, jogaram sim. E que jogue a primeira pedra a mulher que não tiver experimentado o frio da água, lá no fundo do buraco, nem que tenha sido uma só vez.

Aos 30, teoricamente, uma mulher terá uma pele rígida. Mas, essa camada estará bem lá embaixo. No centro nervoso de suas expectativas da vida. Uma camada brilhante que a protege de certas “figuras”, enquanto ilumina o seu caminho em busca de doses bem servidas de realidade. Ser balzaquiana não mais pertence àquelas que chegaram cronologicamente a um certo tempo de vida. Ser balzaquiana, hoje, em tempos digitais, é ser dona da própria vontade de ser autêntica. É íntimo e pessoal.

O que eu ia dizer mesmo? Ah, o que uma mulher não deveria fazer. Bom, na verdade, eu não sei. Acho que se ela acreditar em si mesma, já será um salto imenso para a sua liberdade. Porque 30 anos é pouco tempo para se ter uma vida digna, e muito para se desperdiçar com bobagens sem sentido. O novo verbo balzaquiar é, ironicamente, provar que a melhor idade é o agora: sendo dona de sua beleza, experiências e pensamentos, desejos e angústias, reivindicando sempre o direito de ser feliz.

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