PARAÍSO ARTIFICIAL

Nada substitui a presença. Enviamos cartas, mensagens, bilhetes, recados, torpedos, mísseis, acenos, piscadelas, mas nada é como a palavra dita à queima roupa; nem mesmo pode-se comparar o olhar que nos faz perder o rebolado, pelo simples fato de estar ali, a menos de 50 centímetros. A mente não suporta. A profusão de sensações é inexplicável. O cérebro parece uma tempestade elétrica. Nenhum mecanismo pode substituir a presença.

"Quanto mais numerosas forem as pessoas com as quais convivemos, maior é o perigo." - Sêneca
“Quanto mais numerosas forem as pessoas com as quais convivemos, maior é o perigo.” – Sêneca

Por mais sofisticados que sejam a ferramenta, o dispositivo, touchscreen ou realidade aumentada, não importa, teremos sempre o simulacro da conexão, a imitação do contato, a ilusão da companhia, mesmo que aliviando a falta, a saudade, a ausência, mas não há como nos libertar da necessidade do encontro íntimo e pessoal. Clica, posta, responde, curte, compartilha. É a sina do momento, o inexorável êxodo rumo à prometida terra chamada de admirável mundo novo.

Esforçamo-nos intensa e diligentemente pelo aperfeiçoamento da indumentária tecnológica, que nos cobre de possibilidades infinitas, nos vestindo de toda forma, capaz de tapar qualquer nudez intelectual, a oferecer respostas para tudo e todos, a todo o tempo e em qualquer lugar, porém a secura e a aridez das emoções impera nas ondas wireless. E como é isso, de se encontrar com uma pessoa? Entre mim e você há esse texto. Impresso no papel, iluminado na tela de seu Smartfone ou então escorrendo pelo insaciável mural do Facebook. Interessante. A tecnologia nos aproxima, mas não tem o calor da presença e o que ela pode fazer. Estou protegido aqui atrás de um muro digital. Sem olhares, tons de voz ou qualquer expressão facial.

O real prazer do encontro é abolir quaisquer recursos que dão a falsa aparência de proximidade, para provar da inexplicável experiência de estar cara a cara com alguém, e levar palavras à queima roupa, sentindo o tom da voz, a dança da sobrancelha e das mãos inquietas que desenham figuras no ar, e o brilho nos olhos de quem conta as suas experiências.

A história está repleta de gente conectada. Gente que fala, gente que escuta e conta, gente que curte e que compartilha. Porque é a presença humana, ao vivo, sem “virtualismos”, que pode, de alguma forma, nos ensinar caminhos possíveis, nos desafiar e instigar, nos sufocar e compelir, nos frustrar e chatear, nos responder com experiências reais e, assim, nos levar, humanamente, ao perfeito encontro do prazer.

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