A AMAZONA E O MACHO SEM NOÇÃO

Não se engane, falo de um estado, com certeza, no entanto não é um lugar. Amazona é um estado, sim, mas é de espírito. Santo, às vezes, depende do ponto de vista, mas a garra e a vontade sempre são as mesmas. Amazonas são mulheres guerreiras, de acordo com qualquer dicionário básico. Damas que montam a cavalo, também. São mulheres que se distinguem por sua bravura e coragem. Pessoas incomuns, que não temem o perigo e se destacam em tudo o que fazem. Para a história, amazonas são apenas mitos, entretanto eu acredito que essa ideia está por se tornar, ela mesma, um mito.

A amazona está no seu caminho de conquistas, a lutar por seu espaço contra machos e fêmeas.
A amazona está no seu caminho de conquistas, a lutar por seu espaço contra machos e fêmeas.

Há alguns dias tive a oportunidade de entrevistar uma turminha de cerda de 40 crianças. Dentre elas havia meninos e meninas entre cinco e seis anos. Todos bem comuns, de olhos brilhantes e muito inquietos. Mas houve um fator que me chamou a atenção profundamente, e que me fez imaginar, talvez, a verdade da afirmação feita no final do parágrafo anterior. As mulheres estão dominando o mundo, e não é porque os machos estão sendo bonzinhos e dando mais espaço a elas.

Durante as entrevistas pude perceber nitidamente que os garotos não têm opinião sobre quase nada, não se expressam e fogem ao confronto direto. Por outro lado e, longe disso, as meninas, na sua grande maioria, estão sempre de sorriso no rosto e com muito a dizer, dispostas a se expressar sem vergonha nenhuma.

Aí vem a pergunta: há alguma novidade nisso? Afinal, as mulheres sempre falaram mais que os homens. Verdade ou não, meu propósito aqui não é definir e nem afirmar nada, pois um blog tem o mero papel de expressar uma voz e uma opinião, a fim de se misturar às muitas outras e, assim, chegarmos a algum lugar.

Dito isso, vamos ao que interessa.

Percebi que há um disparate gigante na postura dos gêneros. Na verdade já havia notado isso antes, no decorrer de minha própria experiência de vida. Mas, dessa vez foi marcante. É notória a distância que separa meninos de meninas, no que se refere à expressão. E qualquer pessoa de bom senso sabe que tudo se conquista com sorrisos e bons argumentos. E isso não falta numa alma feminina.

Durante a entrevista, as meninas tinham histórias pra contar, opinião sobre as coisas e sorriam com muita facilidade. Já os machos se viam amarrados na própria e nítida vergonha de dizer o que lhes vinha ao coração. Mulheres não são melhores que os homens, mas elas naturalmente ou historicamente têm um compromisso de se verem livres de grilhões. E isso, talvez, tenha feito a diferença, e lá vão elas rumo ao topo, atropelando a falta de tato e sensibilidade tipicamente masculinas, sem violência, mas sensivelmente violentas, porque para o macho comum a pose de conquista feminina lhe soa estranha, mesmo que seja humilde, cordial e sorridente.

A amazona está no seu caminho de conquistas, a lutar por seu espaço contra machos e fêmeas. Sim, há lutas também entre elas. Estranho se não houvesse, pois somos todos seres humanos. Mas a briga maior não é apenas essa de se fazer a fêmea chegar lá, seja onde for, já que cada um imagina esse “lá” num lugar diferente. Penso que o grande desafio reside nas fronteiras que se criaram entre os gêneros. Fomos acostumados a ver e conviver repetindo costumes que nos separam uns dos outros: “aqui ficam os homens e ali as mulheres”. Não gosto muito disso. Claro que há algumas diferenças, mas elas devem ser usadas não para segregar, mas para enriquecer a nossa mútua compreensão.

Pego emprestado um pouco da sensibilidade do meu amigo Drummond, e tomo a liberdade de afirmar, sem falsa modéstia, já que tenho um álibi de poderoso calibre, que quando houver compreensão de ambos os lados haverá um certo tipo de paz, que poderemos, sim, usar como desculpa para sermos mais felizes. “E digo à fulana: amiga, afinal nos compreendemos. Já não sofro, já não brilhas, mas somos a mesma coisa”, disse o poeta Carlos, que sabia lidar com qualquer tipo de sensibilidade e não tinha vergonha nenhuma disso.

Anúncios

Um comentário sobre “A AMAZONA E O MACHO SEM NOÇÃO

  1. Larissa Oliveira

    Ótimo texto! Essa história antiga “homens não choram” está arraigada até esses tempos no ser da cada macho que vive por aí! Acabam extinguindo qualquer expressão sensível do “ser homem”. Se há uma luta de mulheres pelo espaço que é de cada uma, acredito que nisso os homens também deveriam avançar. Lutar por uma vida mais cheia de sentimentos e até histeria, histeria essa que vem no sentido de encontrar o útero dinâmico que gera vida na alma de cada um!

    PS: Também não gosto dessas divisões de “aqui ficam os homens e ali as mulheres”!

Olá! O seu comentário é muito bem-vindo!

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair /  Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair /  Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair /  Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair /  Alterar )

Conectando a %s