O GIGANTE ACORDOU DE RESSACA

É necessária uma boa avaliação desse inusitado cenário atual Brasileiro. Se vou fazê-la agora? Bom, não sei. O que segue é apenas uma crônica do que vivi nestes últimos dias. O resto fica por conta de quem quiser continuar a história. De ressaca acordou o tal gigante. Sim, zonzo e com dor de cabeça. Com muita raiva dos nefastos efeitos causados por tudo aquilo que ingeriu. E a coisa não tá muito boa.

Há muitos pontos de vista e diversas interpretações do evento que ora irrompe pelos quatro cantos do Brasil. Todos opinam, muitos se envolvem e poucos realmente sabem o que está acontecendo. De fato, o que há é, sim, um fato puramente histórico. Inegável, dado o grau mórbido de embriaguês e o repentino despertar de um, pretenso e poético, gigante que se via “deitado eternamente em berço esplêndido”. Como vai acabar ou no que redundará? Ou seja, como prever as consequências desse imenso e inesperado evento social?

A mídia revela, notoriamente, sinais claros de ser incapaz de perceber ou mesmo compreender o que se passa nas ruas e, principalmente, no coração de cada membro que compõe essa informe massa de gente, aparentemente, descontente. Talvez seja ingênua a minha constatação, mas a mídia, mesmo que comprada, como não poderia deixar de ser, ainda assim é um retrato torto e embaçado da história que se escreve por interesses e maniqueísmos. Sim, porque todos nós agimos com o peso que mais nos convém para garantir o privilégio e o prazer de nossos sequazes, amigos, parentes e umbigos à mostra.
Já se percebe que o grito das pessoas não tem o mesmo eco nas ruas. Cada um, de sua perspectiva pessoal, míope, começa a olhar para o seu próprio interesse. O sistema, por esse motivo, talvez até esperado, já se contorça de prazer risonho, debruçado no chão a desdenhar de nossa incapacidade de ser comum, de ser social; emaranhados por ideias e ideais justapostos, inerentes a interesses simples de união em prol do bem de todos.

O trabalho feito há muito tempo, por entes governantes para alienar a massa foi esplêndido. Há em cada um de nós um campo minado, repleto de bombas prontas para serem acionadas quando houver um mínimo de despertar. Um ínfimo de desejo por superação ou de liberdade. É só a gente erguer a voz ou levantar um braço, até mesmo erguer a cabeça em riste para se ouvir o som da implosão interna. O desânimo vem como enxaqueca. Deixa muitos para trás. Joga outros no chão. Cega e confunde aqueles, põe pra correr outra turma e não perdoa os que insistem em resistir. A dor dessa ressaca é desgraçadamente ofuscante. E o seu efeito já se vê brilhar no céu da pátria nesse instante.

A nossa classe de intelectuais, parasitas que infestam as salas frias de universidades e bares escuros por todo o país. Essa gente que filosofa pelos cotovelos e até desdenha Deus, idolatra livros e enciclopédias e, muitas vezes, não move uma palha sequer. Há muito, que estamos à mercê de uma mídia que nos manipula, aliena e suga, e nem podemos contar com a ajuda de nossos letrados e episcopados regentes do Olimpo acadêmico. Salve, salve apenas as suas opiniões reacionárias publicadas, semanalmente, em veículos que lhes pagam muito bem para sorver um belo Bourbon e não mexer em vespeiros.

Uma minoria interesseira governa com mão de ferro e cara de pau. A massa segue bovinamente por cantos e trilhas marcadas pelo tempo, ansiosa por recalcitrar sobre as fuças da classe dominante e nunca soube como, e nem mesmo teve força para tal atitude. Hoje, despertado o gigante, cambaleia manguaçado de tanta mentira e engodo, degustados a moda de casas parlamentares e financiadas por incontáveis lobbys e governos estrangeiros. História antiga. Recalque de colônia e ranso de mercado.

Acorda Brasil, sim! Desperta esse gigante, mas não estenda a mão no rumo da Taça. Não bebamos mais o gole amargo do futebol circo, da religião opressora e da politiquinha coronelista, e muito menos de qualquer favorzinho que nos compre a lealdade por um pratinho de lentilhas. É hora de sarar nossas dores e nos transformar, definitivamente, num lindo chão imenso, recheado de gente brasileira, que não foge à luta. Porque dos filhos deste solo és mãe gentil, pátria amada, Brasil.

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