O MUNDO DE SOFIA – II

Acabei de ler o livro. Esplêndido! Posso dizer que muitos cantinhos escuros na mente foram iluminados. Sim! Outros abismos foram ainda mais alargados, e entendo agora o nível de coragem que me falta para enfrentá-los.

No fim do romance Hilde e Sofia (protagonistas) descobrem que todo o universo é uma grande lembrança do que um dia ele talvez tenha sido. São tantos bilhões de galáxias e tantos outros de estrelas dentro daquelas, que a mente começa a falhar na tentativa de entender tal imensidão. Muito do que vemos num céu limpo à noite, talvez nem mais exista, pois a sua distância é tamanha que vemos apenas um presente cósmico que já se foi.

Filosofias à parte, mesmo sendo apenas lembranças, o sideral espetáculo mexe com a emoção e ilumina a curiosidade como uma supernova. Se Andrômeda, sistema mais próximo da terra, está há dois milhões de anos luz, então o que vemos agora, é o que ela simplesmente era há exatos dois milhões de anos atrás. Que loucura!

Mesmo sendo fotos antigas ainda são memoráveis, maravilhosas e intrigantes, além de profundamente recheadas de segredos.

Isso me fez pensar muito durante o aniversário de minha sobrinha Nicole, hoje. Vi meus pais se divertindo com suas netas como se fossem crianças. Quarenta anos de casamento, rugas e dores pelo corpo não os inibiu de serem crianças também. É claro que as juntas e articulações não funcionam mais como foi um dia, e nessa hora nada melhor que uma boa psicologia para conter os ânimos da garotada.

Tudo bem, 40 anos nem se comparam com dois milhões de anos luz, sim! Mas, pensa comigo: num mundo em que muita gente se “pega” num beijo de 40 segundos, outros namoram por 40 horas e tantos outros mal ficam casados dentro de 40 dias, é algo para se pensar: o que é ser feliz; ou o que é a felicidade?

Enfim, o céu lá fora com seus bilhões e tudo o mais se arrastando pelo vácuo, em sua colossal corrida pela expansão, e a gente aqui tentando viver um dia de cada vez, bebendo lembranças. Diferente do universo que se mostra a nós, no presente, como foi no passado, a gente, penso eu, deveria se mostrar a ele, nesse exato presente, como gostaríamos de ser no futuro, sem nenhuma pressa. Porque, com certeza, só tenho a lembrança do passado, à velocidade da luz, sejam boas ou ruins. Ou seja, melhor que as minhas estrelas que nascem hoje tenham um brilho que me façam orgulhoso num futuro presente.

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