BATE NA CABEÇA DELE

ONIPOTENTE, ONISCIENTE E ONIPRESENTE… Essa é a atual glória do “deus mercado”. O sistema capitalista sabe de tudo, está em todo lugar e detém todo o poder. Pelo menos no que diz respeito ao universo secular, essa é uma inegável verdade: o dinheiro pode comprar qualquer coisa. Não existem adjetivos que o poder financeiro não seja capaz de adulterar o significado. Aristóteles diz, em A Política, que a palavra tem por fim compreender o que é útil ou prejudicial, e, em consequência, o “que é justo ou injusto”.

Nas últimas semanas fala-se, pela Internet e suas redes sociais, sobre um livro chamado “A Privataria Tucana”. A obra do jornalista investigativo Amaury Ribeiro Jr. expõe a sujeira que há muito vem sendo acumulada sob o tapete das pseudo-privatizações; as tais ocorridas nos tempos do presidente Fernando Henrique Cardozo e de seu ministro, à época, José Serra. A Revista CartaCapital, um dos únicos veículos de comunicação a anunciar a publicação do livro, fez profundos comentários sobre a história relatada por Amaury, além de pontuar a capciosa indiferença manifestada pelo resto da mídia convencional. Mas, para eles que preferiram se calar, infelizmente, houve quem botasse a boca no trombone.

No mundo virtual, a profusão de manifestações a favor do livro criou uma onda tsunami que levou milhares de pessoas a exaurir o seu, até então, encalhado estoque. Num único dia foram vendidos 30 mil exemplares. A maioria das grandes livrarias que o desdenharam foi obrigada a fazer pedidos em caráter de urgência, para atender a inesperada e gigantesca demanda. Ou seja, a velha mídia comum, caquética e maniqueísta, não tem mais o poder de ditar a pauta ou o que será empurrado goela abaixo da audiência.

Na verdade, não sabemos o que será feito com o conteúdo publicado. Nem mesmo se os responsáveis serão punidos. Entretanto, o feito de Ribeiro Jr. é inédito, inspirador e digno de aplausos. Mais que isso, temos que nos valer da força que há nas ações coletivas, e investigar o que está escrito nesta e em outras publicações; pois elas visam a nos oferecer duras verdades sobre a arte da manipulação governista, que sempre age aliada ao seu quarto poder, ou seja, a mídia.

Não é mais possível ficar assistindo TV ou lendo jornais e revistas passivamente. São eles partidos políticos, com o poder de nos orientar a vontade através de sofismas e mensagens subliminares. A levar uma imensa massa de pessoas a se comportar por modelos, confortavelmente entorpecida, crendo que “alguém” está fazendo algo pelo seu bem. Com seus desígnios partidaristas, a mídia alia-se a hordas de políticos que fomentam seus interesses nas estruturas públicas, usando o tráfico de influência para mantê-los protegidos de seus inimigos.

O governo age rapidamente, através da justiça, quando há casos como o dos Nardoni, ou a enfermeira que torturou o cachorrinho, dentre outros. A opinião pública fica estarrecida e chocada, aí a justiça, com a sua capa iluminada pelos holofotes da mídia, vai ao encalço do vilão para detê-lo. Rapidamente são julgados e punidos. Dessa forma, acreditamos que a “coisa” ainda funciona. Quanta mentira. É muito obvio que nesses casos não há dinheiro ou poder em jogo, só comoção. São apenas pais e mães sob pressão psicológica ou algum distúrbio mental, manifestando suas mais profundas angústias e praticando atos que julgamos abomináveis. Claro que são passíveis de punição, concordo plenamente. Mas, o problema é outro.

A mesma justiça que pune ligeiramente essas vítimas do sistema capitalista, que os suga até a alma, é a mesma justiça que finge não saber como lidar com a corrupção nas entranhas do governo. A mídia faz um carnaval na vida de quem mata uma criança friamente, ou esfola um inocente cachorrinho. Mas, eleva a um nível de semi-deuses os barões que governam o Brasil, nos roubando friamente; esses que nos esfolam, sufocam, torturam, batem em nossas cabeças com baldes, travam nossa ascensão social, controlam, manipulam e, também, nos jogam para cima para ver nosso frágil corpinho estatelar no chão.

Pior ainda é a tal “opinião pública” partir para cima de uma meia dúzia de pessoas já oprimidas, e tentarem linchá-las de todas as formas possíveis. Eu mesmo vi na Internet uma série de montagens com cães imensos, fortões e selvagens, usando legendas do tipo “cadê a enfermeira”. Quanta demagogia. Ela estava errada, sim, ao fazer o que fez, mas ninguém pergunta por que ela agiu daquele jeito. Preferimos descarregar a nossa ira e fazer a justiça acontecer de qualquer forma. Esse circo que a gente assiste pela mídia onde acidentes de trânsito, assassinatos hediondos e maus tratos com animais domésticos e velhinhos são tratados com aparente seriedade e permanecem no ar por longos períodos, contrasta com a desfaçatez de se não falar nada ou amenizar com pútridos eufemismos situações como o desvio de verbas, o roubo de merenda escolar, rombos na Previdência Social, a construção da vergonhosa usina de Belo Monte, além da posse de inúmeros políticos ficha-suja em cargos de poder dentro da câmara e do senado.

Tenhamos vergonha de nós mesmos. Se quisermos realmente ser uma nação de verdade, vamos começar a faxina. Chega de fingir um bem-estar ilusório; ele não existe. Está tudo errado e tem sujeira, literalmente, em todo o lugar. Basta olhar ao redor. Nosso mundo e nossas mentes estão profundamente poluídos e intoxicados com um lixo que nós mesmos aceitamos consumir. Somos capazes até de acreditar que a polícia, boazinha, em parceria com o Caldeirão do Hulk (Rede Globo), e sob os auspícios da Ricardo Eletro, despretensiosamente, ajudaram a recuperar um carro, que eles (a polícia), sem querer, destruíram durante a ocupação da Rocinha. Essa foi de doer. A polícia precisava melhorar sua imagem, a Rede Globo de mais audiência e a Ricardo Eletro de carnês, já que ela, por mera coincidência, tinha inaugurado uma loja na mesma semana. Incrível!

“Terrível calamidade é a injustiça que tem armas nas mãos”, disse Aristóteles, “as armas que a natureza dá ao homem são a prudência e a virtude”, defende o filósofo. Assim nos resta somente usar aquilo que a própria natureza nos deu. Ser prudentes e virtuosos significa não glorificar a esse “deus mercado”, que sempre nos oprimiu para ter lucro. Poderoso, presente e sagaz ele é, sim. Verdade! Mas, o seu ponto fraco, Tendão de Aquiles, é a sua arrogante ganância. Uma vez que não me permito comprar suas ideias e produtos, bato na cabeça dele e a imagem se desfaz; assim morre podre e oco, como uma divindade feita de pau.

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