PELO RALO

Tirar coisas de nossas vidas pode até ser um ato, aparentemente, muito fácil e divertido. Depende! Se apenas nos atentarmos aos itens mais simplórios ou periféricos do que carregamos dentro e fora de nós mesmos, talvez tenhamos um crescente número de possibilidades dentre tantas outras, para nos desfazer daquilo que nos entulha. Entretanto, na maioria das vezes, sempre guardamos a firmes dedos, num ato furtivo, o que realmente não se quer liberar. Mesmo que seja o nosso maior espinho na carne, mesmo que tal objeto ou sentimento nos sugue a alma até a morte, o vício de lhe proteger aquece tão vertiginosamente a alma que preferimos o esforço da luta para protegê-lo a sucumbir diante de sua perda.

Nos desvencilhar de coisas e ou estados emocionais, tesouros da alma, hábitos, apetrechos do coração, seja lá o que for, sempre será a grande odisséia de cada ser humano. Enumerar uma quantidade, seja ela qual for, de objetos ou pensamentos, posturas, sentimentos, ideais, talvez seja muito tranquilo. Mas, o que penso ser a grande pedra no meio do caminho, com certeza, são aqueles tesouros, onde está pousado o nosso coração, os quais negamos veementemente, afim de protegê-los. Abrir mão de apenas um deles, muitas vezes, pode desobstruir o entupido ralo para levar tudo abaixo, facilitando a necessária faxina que necessitamos na mente, alma e coração. A tal que poderá nos auxiliar a corrigir pequenas incongruências teimosas em nossas vidas.

Descobrir-se numa jornada na qual existem homéricas batalhas contra inúmeros inimigos, titãs que nos espremem contra imensos rochedos à espera de nossa rendição, é o começo de um caminho de retorno para casa. Nossos maiores inimigos são imaginários e menores que imaginamos. Olhamos cada um deles de uma perspectiva que amplia suas sombras, assim nos convencemos de que podem ser invencíveis. Basta, em alguns momentos, um passo adiante para mudar o ângulo para desfazer o mistério e começar a grande saga contra minúsculos oponentes que existem para nos exercitar a capacidade de superar nossos próprios limites.]

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