Um Feriado de 365 Dias

Existem três datas no ano que sempre me incomodaram. Natal, Páscoa e Carnaval. Nunca gostei de nenhuma delas. São amados feriados, sim, eu sei disso. E não nego que gosto de uma folguinha. Entretanto, muito me chateia a idéia de comprar toneladas de comidas e bebidas para curtir essas datas; mandar cartõezinhos coloridos para todo mundo, usar frases sazonais, do tipo “feliz isso”, “feliz aquilo”. Odeio a ideia de “ser” outra pessoa por causa de uma data. Não me servem fantasias, nem máscaras. Prefiro ser eu mesmo, todos os dias, feio ou bonito, gente boa ou não, mas sincero e verdadeiro. Nunca disfarçando aquilo que não sou. Incomoda ser assim? Claro. Com toda a certeza. Mas, se isso me deixa feliz e mais leve, assim serei.

Um Pouquinho de Atenção

O ano tem 365 dias e as nossas necessidades e desejos são reais e imediatos em todos eles. Se quero ser bom para alguém, tem que ser todo dia. Se quero fazer alguém feliz, precisa ser todo dia. Nada de escolher data para mostrar meu lado bom. Datas são artifícios para vender coisas e disfarçar nossas omissões como seres humanos. As pessoas, todas elas, sejam ricas ou pobres, jovens ou velhos, lindas ou nem tanto assim, todas, repito, todas, precisam de algo que só outro ser humano pode dar: atenção! Todos precisam de comida, bebida e um abrigo, todavia, é de atenção que qualquer ser humano mais sente falta, principalmente na velhice, já que vivemos num mundo que valoriza a juventude e a beleza estrema.

"Eu não sei, acho que não acredito mais em mim mesmo."

Um Pedaço de Peru

Não odeio a essência das datas festivas. Repudio toda atitude artificial e superficial gerada pela nossa incapacidade de perceber que o mundo está desse jeito, todo torto e desigual. Porque demoramos tanto para tomar atitudes? Escolhemos datas para isso e, na maioria delas, estamos tão bêbados ou de barriga tão estufada de comida que preferimos ir dormir, não tendo tempo para dar uma volta na rua e dividir um pedaço de peru assado, panetone ou um copo de leite.

Falta de Luz

Parabenizo todas as ações de gente comprometida com o ser humano. Ainda existe uma resistência de pé, lutando para levar um pouco de luz no meio dessa tosca escuridão. Frágeis vaga-lumes perdidos no meio da noite. Sei que ainda falta muito para ser feito, mas ainda assim valerá à pena qualquer esforço para melhorar o nosso mundo. Chega de papo furado, propaganda, chocolate, coelhinho, papai Noel e Cia ltda. As pessoas estão morrendo de inanição todos os dias, elas não podem esperar a próxima data festiva. A hora é agora.

A Felicidade Com Selo Postal

Para Juliana Gervazon, professora de literatura no Colégio APOGEU, parabéns pela iniciativa (veja o vídeo) e que Deus abençoe a sua vida. Precisamos nos comover, mover e locomover nossos belos discursos para um patamar de ação. O mundo agradece e, só assim, ficará mais colorido e brilhante. Aí, sim, teremos motivos para comemorar alguma coisa.

Feliz tudo de bom!

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4 comentários sobre “Um Feriado de 365 Dias

  1. Fátima

    Parabéns pelo texto, William!

    Juliana, sua atitude, ao meu ver, traduz o Verdadeiro Espírito Natalino: “Amar a Deus sobre todas as coisas e aos nossos semelhantes, (e a tudo o que Deus criou), como a nós mesmos durante todos os dias de nossas vidas.”

    Beijos para os dois!

  2. Polêmico, muito polêmico! Esse é o William Barter que eu conheci e que percebi que era desse jeito a primeira vista. Depois eu é que sou conhecida como sincera ao extremo…rsrs…
    Mas, vamos lá:
    A data do Natal (que aprendi “a duras penas” que nada tem a ver com religião, sendo uma festa pagã) foi, creio eu, transformada, há bastante tempo, em festa comercial.
    Para as empresas, o país, o comércio e sei lá mais pra quem, isso é muito bom! Mas, e para os consumidores, para as famílias e simples trabalhadores?
    Trato aqui do poderoso marketing do natal que atrai pessoas com um único objetvo: consumir.
    O trabalhador recebe seu salário, além do seu 13º, e sai de seu local de trabalho feliz da vida. Vai ao centro da cidade ou ao shopping e compra os presentes dos filhos, que tanto pediram, depois das infinitas propagandas na TV (lembrando que, se não comprar, se tornará o pior pai do mundo). Volta pra casa com as mãos cheias de pacotes e os bolsos vazios.
    Depois , fica a pergunta: Qual era mesmo o real sentido do natal? Ninguém mais se lembra. Só lembramos do modelo de celular que tanto queremos. Aquele que tira foto (mesmo quando temos aquela máquina digital).
    Mas não estou aqui para ressachar a televisão, muito menos as empresas. Só queria que, junto com o texto de Barter, que alerta sobre a articulação apenas em datas festivas, seja colocado um alerta aos consumidores: Cuidado para não estourar seu orçamento! Nada de sair às compras como se não tivesse dívidas a curto prazo. Nada de sair por aí usando cheque especial e cartão de crédito como seu o seu limite fosse o céu. Vinho, peru, brinquedos, celulares, tudo isso é realmente “necessário” no final do ano?
    Pra encerrar, lembrem-se que o dia 26 de dezembro vai amanhecer e, com ele, as ressacas (a primeira de vinho e a segunda de contas). Aí então, você descobre que o Ano Novo será como aquele que passou: cheio de dívidas para pagar.

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