Torre de Babel

você se sente conectado?!

Tive oportunidade de assistir a uma peça de teatro, abordando o seguinte tema: Família. Fiquei impressionado com os fatos expostos, e descobri algo que foi determinante para uma mudança de postura e um incentivo na escrita deste texto. A família, como a sociedade acha que conhece, está ficando cada vez menos “familiar”, deixando de ser um continente para tornar-se um arquipélago, onde cada um tem o seu telefone, seu computador e até um aparelho de TV particular.

Essa onda começou quando a TV fazia convergir todo o rebanho para a sala, onde o Pai (aquele que pagava todas as contas sozinho), imperava soberano com o controle remoto nas mãos. Hoje, com o avanço da tecnologia e das ideologias, e das “conquistas sociais” as coisas estão bem diferentes.

Muitas famílias gastam as suas energias durante o processo de construção da sonhada casa própria. Planejam, investem, sofrem, fazendo enormes sacrifícios para ter o sonho realizado. Cada detalhe, inclusive o tom da válvula do bidê e a moldura do armário do banheiro são importantes. E, no fim de tudo, criam ilhas de entretenimento, em cada quarto, sala e cozinha, matando a possibilidade de haver diálogo real entre os membros do clã.

Através da Internet, todos falam com o mundo. Mas, no mundo deles não há diálogo. Todos navegam no hiper-espaço, embora todos sejam ilhas perdidas nesse pequeno oceano chamado lar. O pai está no trabalho ou no bar com os amigos, os filhos na escola ou nas lanhouses’s, e a mãe, quando não trabalha, está no salão de beleza. O que está faltando para unir essa turma?

Construímos uma Torre de Babel moderna, cheia de fios, imagens e sons perfeitos, com muito conforto a velocidades incríveis. Existe uma enxurrada de mensagens, scraps, recadinhos e outras coisinhas eletrônicas fazendo parecer que as pessoas estão se comunicando. Mas, como na história da torre original, onde o sonho era alcançar o céu, num lance de extrema ganância e egoísmo, foram confundidas as suas línguas e ninguém mais podia se entender. Em nossa Babel moderna vivemos essa mesma confusão, fingindo que está tudo bem.

Precisamos aprender a viver com os nossos brinquedinhos modernos, sem com isso nos isolar uns dos outros. Quebrar as barreiras que nos separam dentro de nossas próprias casas. E, quando sairmos do trabalho, da escola ou do salão, sentir um imenso prazer de voltar direto para o aconchego do lar! Precisamos estar plugados uns nos outros, com mais diálogo, olho no olho, e menos desculpas.

Nenhuma língua seria suficiente para descrever a importância da família. Se cada um dedicar um pouco mais de si ao outro, já será um excelente começo. Para sorrir nem precisamos abrir a boca. Falamos muito com uma simples atitude.

Crônica escrita em 09/06/2005

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