A Extinção dos Mamutes

Eu adoro filmes de animação. Em particular, a trilogia “A Era do Gelo” é a minha preferida. As magníficas combinações de humor, filosofia, crítica, superação, trabalho em equipe e muitas aventuras fazem dos filmes inesquecíveis peças cinematográficas.

Para meu texto de hoje, vou usar como ilustração o segundo episódio da saga. Nessa história, o bando mais esquisito das geladas terras da era do gelo enfrenta, ironicamente, um aquecimento global. Já no início do filme cria-se o conflito que permeará toda a trama. Many, o grande mamute, será confrontado com a hipótese de ser o último de sua espécie. Daí em diante, ele começa a imaginar se isso é realmente possível, já que não vê outro mamute há muito tempo.

A FESTA NO FIM DO MUNDO

Logo depois do anúncio do fim do mundo, dado pelo personagem Toni Ligeiro, que a meu ver representa a figura da mídia, com sua fome e pressa de fazer as coisas acontecerem, todos são obrigados a fugir em direção ao fim do vale, em busca de um provável navio, que poderá salvá-los da anunciada grande inundação, que foi predita pelo abutre de colarinho branco. Nosso amigo emplumado, sarcasticamente, dá a notícia com ares de rapina, saboreando a expectativa do que se aproximava, ou seja, a marcha da multidão, em fuga da iminente tragédia, faria muitas vítimas e poria a mesa para o seu banquete.

O mundo todo prestes a acabar e o nosso herói queria resposta para a pergunta: estaria ele em vias de extinção? Quem assistiu ao primeiro episódio sabe que Manfred, o grande mamute, perde sua família vítima de um ataque feito por humanos. Depois disso, ele caminha solitariamente, fechado em seu mundo particular, evitando contato com qualquer um. A experiência no primeiro filme faz com que ele reveja muitos conceitos e consiga vencer barreiras e se libertar, voltando a valorizar amigos, se abrindo mais para a vida e até perdoando os humanos que destruíram sua vida. Só que ainda resta muita água para rolar. O bigboy Many ainda vai precisar de muito calor para derreter outros cantos gelados daquele imenso coração.

UMA GAMBÁ DE 9 TONELADAS


Quando, de repente, já quase sem esperanças, conhece a gambá, melhor dizendo, Ellie, a mamute que pensa ser um gambá, ele toma o maior susto e começa a ficar feliz com seu insólito achado. Só que, para seu desespero, ela não se vê como um grande mamífero de tromba e pesando nove toneladas. A criação, desde bebê, com uma família de gambás, e o fato de nunca ter visto ou convivido com outro mamute, fez com que se acostumasse com a idéia de ser um marsupial, vivendo, pensando e agindo como um, mesmo que isso assustasse todos ao seu redor.

HOMENS X MULHERES

Numa conversa essa semana, com a minha amiga Carine, lá no Café Central, falávamos sobre o que os homens e as mulheres estão fazendo para não serem extintos e terem seu espaço no mundo. Interessante lembrar a cena em que Eddie e Crash, os gambás irmãozinhos da Ellie, que ainda não sabe que é uma mamute, se perguntam como fariam para repovoar o mundo já que no bando só tinha uma fêmea, e, ironicamente, era a irmã deles. Tenho visto que muitas mulheres estão tentando viver uma vida estranha, insistindo em imitar um padrão que não pertence e nem pode fazer algum bem a elas.

MENINAS NÃO CHORAM

Percebo toda uma geração de mulheres tentando, fervorosamente, imitar o comportamento masculino. Elas já não vão mais para o salão de beleza buscar uma estética aperfeiçoada, para assim ressaltar o que já têm de positivo. Preferem as academias para criar e enrijecer músculos, dando formas abrutalhadas ao seu corpo. Vestem calças, em detrimento dos vestidos, usam cabelos curtos, arremedam o jeito de falar e andar dos garotos para se auto-afirmarem numa sociedade machista. Conheço garotas que odeiam ser chamdas por apelidos carinhosos terminados em “inha”, tipo “Carolsinha”, “Joaninha”, “Izabelinha”, só porque isso remete para um ar de fragilidade. Ninguém merece. Bebem até cair nas festas, enchem o carro de amigas para dar um “role” em busca de aventuras com os meninos, falam um monte de besteirol tipicamente masculino, adotando até o gosto pela violência associada aos esportes de massa. Só falta começarem a “coçar o saco” em público, coisa que já é repugnante até no homem.

DO QUE ELES GOSTAM

Gastou-se tanto tempo para serem libertas, fruto de grande sacrifício, do jugo dos homens que as maltratou impiedosamente, para agora estarem imitando seus antigos algozes. Isso soa meio paradoxal. A sociedade é machista e continua assim com a ajuda de muitas mulheres. Acho isso triste demais. Eu gosto de saber que a mulher conquista seu espaço, com esforço próprio. Admiro aquelas donzelas que são sensíveis sim, que gostam de delicadeza e das coisas cor-de-rosa, mas que sabem defender seus direitos e pontos de vista. Uma mulher sem medo de ser o que é. Essencialmente feminina, sabendo o que quer, conhecendo e prosseguindo em conhecer a si mesma, gerando e formando uma identidade pura, desenhando um caráter autêntico, sem precisar tirar uma cópia em preto-e-branco de um modelo que não se encaixa em seu perfil.

DEBAIXO DAQUELE MONTE DE PANO

A fase mais produtiva da literatura e das artes plásticas, por exemplo, foi exatamente naquele tempo em que era difícil se aproximar das garotas, quando os leques, por um breve momento, ocultavam um sorriso e, seus corpos, ficavam misteriosamente escondidos debaixo de todo aquele amontoado de panos. O cara tinha que se esforçar muito para conseguir conquistar a sua amada. E ai conta-se serenatas, bilhetes e mais bilhetes, enfrentar o pai e pedir a famosa permissão para namorar a mocinha. Eu sei que os tempos são outros. É verdade. Mas, à medida que as roupas diminuem, junto vai o respeito e admiração pela figura da mulher. Se o cara esperava o casamento para conhecer o corpinho da garota, nesse intervalo, eles tinham tempo para conversar muito, participar um da família do outro, criar vínculos, saber mais sobre gostos e preferências. Eu sei que muitos casamentos antigamente duravam por imposição da sociedade. Muitos casais infelizes tinham medo do “o que eles vão dizer”. Mas, eu sei e ninguém pode negar: um n
amoro sadio, em que cada um, rapaz e moça, usam sabiamente o tempo para se prepararem para um futuro juntos, treinando o que virá a ser o seu dia-a-dia, cultivando um relacionamento com suas respectivas famílias, mantendo abertas todas as portas e janelas para que não seja apenas uma divisão e sim a soma de duas casas.

UM MONTE DE GENTE FELIZ

Viver bem entre pais, irmãos, avós, tios, primos e primas é a melhor coisa. A família cresce e as festas ficam ainda maiores e mais divertidas. E pensar que isso tudo só é possível porque lá atrás, o casal decidiu fazer a coisa certa e não namorar só o corpo do outro, mas permitiu que a soma das duas vidas ajudasse em seu crescimento como seres humanos, sendo atraídos pelo que têm no caráter, pois é o que nos segue até o fim da vida. Corpinho bonito, tanquinho “sarado” e marquinhas de biquíni são realmente tentadores, mas, só isso, sem sabedoria, torna-se uma longínqua e fria lembrança que poderá nos incomodar lá naquela fria tarde, quando estivermos sozinhos e abandonados, sentindo a vergonha de ter curtido ama vida sem limites, aproveitando tudo que rolava, sem medir as conseqüências, agindo como objetos descartáveis, sem o menor valor. Quando acaba o encanto, pois o dinheiro não mais pode corrigir os defeitos causados pela idade, a carcaça perde todo o seu brilho.

UMA MAMUTE INCOMODA MUITA GENTE
No filme, Ellie, a gambá gigante, aprende o poderoso valor do perdão e seus novos amigos irão ajudá-la a experimentar um jeito novo de viver, com espaço para as diferenças e a grande sacada que é descobrir a si mesma e saber que não dá para fugir de nossa essência, porque isso nos prejudica e trás sofrimentos desnecessários. A mulher pode e deve enfrentar o mundo com o melhor que ela tem. O homem precisa entender que sua força física não o coloca em vantagem. A mulher é muito mais do que se possa imaginar, e será feliz na busca de entender a si mesma, definindo seus caminhos e construindo relacionamentos mais proveitosos com homens que as desejem como pessoa e não como um objeto. Coisas ficam obsoletas e passam. Pessoas podem ser transformadas. Mas, essa transformação só é real se começar lá dentro. Vindo de um lugar que ninguém pode tirar de você. Esse tesouro, mulher, você tem de montão e pode mudar o mundo com ele, estimulando os caras a serem menos canalhas, porque vão ter que correr atrás de uma garota autêntica, que se conhece e valoriza o próprio passe. O cara, para ganhar o seu coração, precisará primeiro ver a mulher de verdade ai dentro desse corpinho. Uma nova geração de melhores mulheres pode certamente criar uma nova geração de melhores homens.

NUNCA DESISTA DE SEUS SONHOS
Existem muitos Manys por ai em busca de seu par. Eles bem que temem estar quase totalmente extintos. Todavia, o esforço desses mamíferos, com certeza, será recompensado por muitas e muitas Ellies que existem por ai também. Elas são grandes e fortes por dentro, não precisam ficar fingindo ser uma coisa que não são. O mamute que aposta na fêmea certa não corre o risco de ser extinto. Ele apenas começa uma grande jornada rumo ao fim do vale, sabendo dos perigos, sim, eles existem, mas com a fé de que tudo vai ficar bem, pois vale à pena lutar por aquilo em que acreditamos e amamos.

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